Regras
Barbu de torneio
Créditos
Regras descritas por John McLeod, inspiradas nos jogadores de bridge. A forma elaborada do Barbu, mais tática do que a francesa tradicional: o declarante escolhe o contrato, o Trunfo substitui a Salade e as contras trazem a aposta para dentro do jogo. Foi o passatempo preferido do Blue Team italiano.
Material
4 jogadores, um baralho vulgar de 52 cartas, ordem Á R D V 10 9 8 7 6 5 4 3 2 em cada naipe. Cada jogador anuncia uma vez cada um dos sete contratos: 28 mãos.
O declarante
- O primeiro declarante é sorteado e continua a sê-lo durante sete mãos; depois assume o jogador à sua esquerda, e assim sucessivamente.
- As cartas são distribuídas pelo jogador à direita do declarante e cortadas pelo da frente.
- O declarante escolhe o contrato, mas cada um joga por si.
Os cinco contratos negativos
Sem trunfo. Sai o declarante. É preciso servir o naipe se possível, caso contrário descarta-se o que se quiser. Quem ganha a vaza sai para a seguinte.
- Sem vazas — −2 por vaza, −26 ao todo.
- Sem damas — −6 por dama, −24. As damas capturadas ficam voltadas para cima; deixa-se de jogar no fim da vaza que contém a quarta dama.
- Sem as duas últimas — −10 pela penúltima vaza, −20 pela última, −30 ao todo.
- Sem copas — −2 por copa, exceto o ás de copas a −6, −30 ao todo. É proibido sair a copas a não ser que só restem copas. As copas capturadas ficam voltadas para cima.
- Sem rei de copas (Barbu) — −20. A mesma proibição de sair a copas.
Os dois contratos positivos
- Trunfo — o declarante nomeia o naipe de trunfo e sai. A vaza vai para o trunfo mais alto, ou para a carta mais alta do naipe de saída. Pode sair-se com qualquer carta, mas todo o jogador que possa cobrir legalmente a vaza com um trunfo tem de o fazer, sobretrunfo incluído. +5 por vaza, +65 ao todo.
- Dominó (Fan Tan) — o declarante nomeia um grau de partida (dominó a partir do cinco). Cada um deve, por sua vez e se puder, jogar uma carta desse grau ou uma carta do mesmo naipe adjacente a outra já na mesa. Todo o naipe deve ser começado com o grau escolhido. Quem não pode jogar, passa — incluindo o declarante se não tiver nenhuma carta desse grau. Ases altos, duques baixos. +45 / +20 / +5 / −5, +65 ao todo.
Os valores estão escolhidos para que as sete mãos somem zero, o que faz com que a folha se verifique sozinha.
Contras
Escolhido o contrato (com o naipe de trunfo ou o grau de partida anunciados), cada jogador por sua vez, a começar pelo da esquerda do declarante, tem uma ocasião de contrar um ou todos os outros. O declarante só pode contrar quem o controu. Nos dois contratos positivos só o declarante pode ser contrado. Devolver a contra é um recontra; fazer todas as contras possíveis chama-se máximo. Cada jogador deve contrar o declarante pelo menos duas vezes por série de sete mãos.
Uma contra é uma aposta paralela sobre qual dos dois pontuará melhor. Liquidação, dois a dois: se só um deles controu o outro, a diferença entre as pontuações brutas é somada ao melhor e retirada ao pior; se ambos se contraram, essa diferença duplica. Se entre dois jogadores não houver contra, nada muda de mãos.
Exemplo: Ana anuncia Sem damas e leva uma dama (−6), Rita uma (−6), Diana duas (−12), Beatriz nenhuma (0). Beatriz controu todos, Rita controu Ana, Ana recontrou Rita. Ana paga 6 a Beatriz; Ana e Rita fizeram o mesmo, portanto nada passa apesar do recontra; Rita paga 6 a Beatriz; Diana paga 12 a Beatriz.
Na aplicação, as contras ativam-se em Pontuação. Em cada mão uma grelha permite marcar quem controu quem, e as liquidações são calculadas sozinhas, recontras incluídos — não resta nenhuma conta a fazer. A obrigação de contrar o declarante não é imposta: pertence à mesa, não à matemática. A aplicação limita-se a mostrar, sob a tabela de pontos, quantas contras já pôs cada jogador contra o declarante em curso, e nunca bloqueia uma mão.
Variações
- Escolha do contrato — alguns deixam escolher ao dador; a saída continua a pertencer ao jogador à sua esquerda, salvo no dominó, em que começa o dador. Na versão francesa mais antiga os contratos seguem antes uma ordem fixa, sem escolha nem contras.
- Contras — alguns só permitem contrar o declarante e exigem um recontra que cubra todos os que o contraram.
- Contrato sem contras — alguns não jogam sequer a mão se ninguém contrar um contrato negativo: cada adversário fica com um terço do total e o declarante com o arredondamento. Sem vazas +1 / −9; sem copas 0 / −10; sem as duas últimas 0 / −10; rei de copas +1 / −7.
- Saídas — alguns não proíbem sair a copas no Barbu; outros exigem descartar o rei de copas ou as damas à primeira ocasião sem risco.
- Trunfo — alguns não obrigam quem não tem o naipe a trunfar ou a sobretrunfar.
- Dominó — muitos jogam o ás baixo; alguns deixam que a primeira carta do declarante fixe o grau de partida.
- Outras pontuações — rei de copas a −15 e dominó +40/+20/+10/−10; ou dominó 30/20/10/0 com o Barbu a −15. A pontuação de Mark Brader: Barbu −25, Fan Tan +40/+20/0/−20, copas −12 o ás e −4 cada uma das outras, duas últimas −10/−20, vazas −5, damas −15, Ravage City −36, trunfo +5.
- Ravage City — contrato adicional sem trunfo: quem levar mais cartas de um mesmo naipe faz −36; empate a dois, −18 cada um; a três, −12; a quatro, −9 (existe uma versão a −24). Com este contrato um jogo são 32 mãos.
Jogadores, baralho, contratos e valores definem-se todos em Pontuação, e uma pontuação com nome pode ser guardada para jogos posteriores.